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Chapa de Flávio segue sem vice nem partidos aliados a dois dias de convenção do PL

A poucos dias da convenção nacional do PL que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, a chapa do senador continua indefinida. Os liberais se reunirão no próximo sábado, 25, em São Paulo, mas o evento que sacramenta o projeto do filho mais velho do ex-presidente será realizado sem a definição de um nome para a vice-presidência. Com a manifestada tendência à neutralidade dos partidos do Centrão, como a Federação União Progressista, a expectativa é que Flávio lance uma chapa pura, com a vaga para a vice-presidência ocupada por uma mulher filiada ao PL. 

Quando se lançou na corrida à presidência, no final do ano passado, Flávio tinha a convicção de que seu sobrenome traria ao projeto o peso necessário para atrair aliados e potencializar sua candidatura. A realidade dos últimos dias antes das convenções mostrou um projeto cada vez mais isolado, desidratado pelo impacto do Caso Master e do tarifaço na figura de Flávio. Agora, a principal chapa da direita brasileira luta para ampliar sua coligação, oferecendo como principal moeda de barganha a vaga de vice.

A principal aposta da vez é o Republicanos. Flávio já havia tentado fechar uma aliança com a legenda no passado, sem sucesso. As conversas agora retornam com o auxílio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o principal interlocutor de Flávio no partido. Uma eventual aliança depende de acordos regionais que giram, principalmente, em torno das vagas para os Executivos Estaduais e o Senado. Em locais como o Mato Grosso, o PL teria que abrir mão de seu candidato ao governo em prol do projeto do Republicanos. 

Analistas, no entanto, afirmam que é difícil algo sair dessa articulação: a tendência é que os cálculos do Republicanos levem o partido para a mesma neutralidade que outras agremiações do Centrão já sinalizaram. Frente o equilíbrio da corrida eleitoral e a expectativa inconfessa de desidratação da campanha de Flávio, PP, União Brasil e MDB evitaram declarar apoio a qualquer candidato, e preferem deixar para negociar um eventual apoio com o futuro presidente, sem se comprometer agora. 

Quem será vice de Flávio Bolsonaro?

Até o momento, a única certeza é que a candidatura à vice-presidência será ocupada por uma mulher. Esse movimento faz parte de uma estratégia da campanha de Flávio para atrair os votos do eleitorado feminino, que hoje são o principal calcanhar de Aquiles do candidato. Apesar da indefinição, alguns nomes são discutidos nos bastidores — e alguns, inclusive, já circulam na mídia em geral. 

Um nome que foi trabalhado ao longo das últimas semanas é o da senadora Tereza Cristina (PP), que foi ministra no governo Bolsonaro. Ela, no entanto, recusou o convite feito por Flávio pois pretende continuar no Senado. Outra opção, caso as conversas com o Republicanos rendam frutos, é Daniella Marques (Republicanos). Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ela é responsável pelo desenho das pautas econômicas da campanha de Flávio, assim como pela articulação de políticas para as mulheres. Sua confirmação depende das tratativas com o partido, que não parecem muito promissoras. 

O cenário parece se encaminhar para um Plano C do PL: fechar uma chapa pura para a disputa eleitoral deste ano. Uma das opções em discussão é a deputada federal catarinense Júlia Zanatta, que já se mostrou disposta para enfrentar o desafio, e colocou-se à disposição do partido em uma publicação em suas redes: “Sempre pronta para o combate”. No mês passado, Eduardo Bolsonaro havia afirmado em sua página no Instagram que Júlia estaria “à altura do cargo”.

Outro nome provável em uma eventual chapa pura é o da deputada federal Bia Kicis. Em uma live realizada em junho, o próprio Flávio levantou a questão, convidando-a em tom de brincadeira para compor a chapa. Ela também já se mostrou disposta, apesar de afirmar que sua prioridade hoje é sua campanha ao Senado pelo Distrito Federal. 

Apesar das especulações, o certo é que a convenção nacional do PL acontecerá sem a homologação de um nome para vice. A expectativa é que a decisão seja tomada ao longo da próxima semana, e que tenha inclusive o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro — Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, já afirmou que a decisão final será do chefe do clã. 

A agenda da próxima semana, no entanto, pode dar alguma esperança para Júlia Zanatta: Flávio virá a Florianópolis para a convenção do PL catarinense, no dia 1º de agosto. No dia anterior, ele tem reunião marcada com Jorginho Mello e a deputada. Veremos que notícias virão desse encontro.