Exposição em homenagem ao centenário do artista, referência do modernismo catarinense, segue até 31 de outubro no instituto criado pelo sobrinho, no bairro Coqueiros, em Florianópolis
Até 31 de outubro, o Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, de Florianópolis, promove a exposição “Hassis – Diários Afetivos” que reúne 46 obras da Coleção Collaço Paulo, compostas por pinturas, objeto e dois registros audiovisuais. A entrada é gratuita. A história de Hassis (1926-2001), um dos mais ativos da cena modernista de Santa Catarina, está marcada pelo ativismo no Grupo Sul, no GAPF (Grupo de Artistas Plásticos de Florianópolis) e participação expressiva na Acap (Associação Catarinense de Artistas Plásticos).
A mostra se insere no programa “Hassis 100 Anos”, composto por ações em homenagem ao centenário de seu nascimento. Também marca a história do instituto, que completou quatro anos no dia 30 de julho, enfatizando a gênese do colecionismo iniciado há cerca de 40 anos pelo casal Marcelo Collaço Paulo e Jeanine Gondin Paulo.
É a primeira exposição com assinatura da curadora-chefe, Alice Viana Bononi. “Antes de se tornar acervo, toda coleção nasce de afinidades, descobertas e afetos”, escreve Alice, chamando atenção para o estreitamento familiar e o convívio entre Hassis e seu sobrinho, Marcelo. Emocionado, o sobrinho lembrou toda a relação de afeto com o tio. A convivência e as visitas constantes ao ateliê na praia de Itaguaçu determinaram o gosto pelo colecionismo do sobrinho.

“Conhecer artistas como Martinho de Haro, Hassis e Vecchietti, e ter a oportunidade de conviver com eles, acabou aumentando não só o meu desejo de ver, mas também de ter arte”, conta Marcelo, que guarda vívidas lembranças e conversas.
Embora a Coleção Collaço Paulo seja a estrutura vital do instituto, prestando-se aos propósitos arte educativos, ela nunca esteve em evidência por si só. Nas sete primeiras exposições realizadas desde 2022, as obras aparecem em primeiro plano. Neste momento, o conceito curatorial torna a coleção quase como uma protagonista. Hassis está presente neste prelúdio, incluindo obras presenteada por ele ao sobrinho, como “Bar II” (1973), em acrílico sobre duratex, ambiente no qual um marinheiro está representado ao lado de uma mulher que o abraça.
Conceito curatorial
As 46 obras de “Hassis – Diários Afetivos”, em diferentes abordagens temáticas e técnicas – óleo sobre tela, eucatex e duratex, guache, acrílica, lápis de cera, aquarela, dois audiovisuais, entre outras – envolvem um arco temporal entre o fim dos anos 1950 até meados de 1980, incluindo dois curtas no formato Super-8 feitos pelo artista e um objeto.
Além dos aspectos pessoais, como o registro do pátio da própria moradia ou da praia de Itaguaçu, Alice reforça que, “essas imagens revelam uma Florianópolis vivida — seus bares, festas, paisagens e personagens —, transformada em criação visual pela experiência cotidiana do artista, e uma dimensão menos visível: a preservação no âmbito familiar”.
A primeira sala apresenta o conceito curatorial e um mosaico no qual está o primeiro quadro presenteado pelo tio ao sobrinho, além de fotos pertencentes à Fundação Hassis. Nas demais – Cenas Urbanas, O Porto e seus Personagens, A Orla e seus Motivos e Ritos e Espetáculos – Bononi tece vida e obra, costura com depoimentos das filhas Leilah e Luciana. Chama atenção o autorretrato “Hassis III” (1967), um óleo sobre tela, feito aos 41 anos.

Instituto Conversa e apoiadores
A exposição conta com o apoio cultural do Sesi, Ibagy, Corporate Park e Paradigma Cine Arte. Tem ainda o apoio institucional da Fundação Hassis, que conduz o programa “Hassis 100 Anos”, aproximando a reitoria da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), o Palácio Cruz e Sousa – Museu Histórico de Santa Catarina, a Helena Fretta Galeria de Arte, a Fundação Cultural Badesc e o Museu Victor Meirelles.
Na agenda do Instituto Collaço Paulo, no dia 19, às 16h30, ocorre o programa Instituto Conversa “Arte, Coleção e Memória”, com Leilah Corrêa Vieira, Marcelo Collaço Paulo e Luciana Paulo Corrêa. As filhas e o sobrinho compartilharão lembranças e curiosidades sobre as obras, o convívio e a personalidade do artista.
Outra iniciativa de fortalecimento de conteúdos prevê o atendimento gratuito e profissionalizado do Núcleo Educativo que, em sintonia com a Fundação Hassis, propõe o Circuito Casadinho, um percurso entre as duas instituições com as duas mostras combinadas: “Hassis – Diários Afetivos” e “Hassis Brincante”. Escolas e demais interessados podem agendar para as quartas e sextas-feiras uma visita seguida de outra, ampliando a imaginação e a aprendizagem sobre o modernista.

Sobre o artista
Pintor, desenhista e ilustrador modernista, Hassis, curitibano radicado em Florianópolis desde os dois anos e três meses de idade, era um autodidata nas artes. Cronista visual da Ilha de Santa Catarina, retratava os mares, a ponte Hercílio Luz, o folclore, o circo, e até mesmo o vento típico da cidade, como em “Vento Sul e Chuva” (1957), considerada por muitos sua obra-prima.
Equipe Técnica
Acervo: Coleção Collaço Paulo
Curadoria, expografia e textos: Alice Viana Bononi
Assessoria de imprensa, revisão e edição de textos: Néri Pedroso
Material e proposições educativas: Joana Amarante e Marcello Carpes
Coordenação de acervo: Cristina Maria Dalla Nora
Conservação e restauração do acervo: Sára Fermiano
Montagem: Flávio Xanxa Brunetto
Apoio de montagem: Adriano Lessa, Júlia Bayer Heidmann e Marcello Carpes
Material gráfico e identidade visual: Lorena Galeri
Gestão de mídias sociais: Ismael Zeni
Fotografia da coleção: Eduardo Marques
Assistência de design expográfico: Letícia Damázio de Jesus
Para visitar:
O quê: exposição “Hassis – Diários Afetivos”, com curadoria de Alice Viana Bononi
Quando: até 31/10/2026, de seg. a sáb., 13h às 18h30
Onde: Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação (rua Des. Pedro Silva, 2.568, bairro Coqueiros, Florianópolis/SC) Tel.: (48) 3025-4058
Quanto: gratuito
Saiba Mais
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