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Mesmo após pressão de Flávio Bolsonaro, Ana Campagnollo segue sem declarar apoio explícito a Carlos

Candidato à Presidência cobrou publicamente que deputada grave apoio a Carlos Bolsonaro; Campagnolo Candidato à Presidência cobrou publicamente que deputada grave apoio a Carlos Bolsonaro; Campagnolo respondeu que seguirá os objetivos do PL, mas novamente não declarou apoio explícito ao candidato ao Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, pressionou publicamente a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) para que manifeste apoio à candidatura de seu irmão, Carlos Bolsonaro (PL), ao Senado por Santa Catarina.

A cobrança ocorreu depois de Campagnolo publicar, no sábado (8), um vídeo gravado ao lado de Flávio meses antes. Nos comentários, o presidenciável pediu que ela também produzisse um vídeo apoiando Carlos e afirmou que, caso não pudesse fazê-lo, deveria compreender se ele solicitasse que não utilizasse mais nem sua imagem nem a de Jair Bolsonaro.

“Prezada Ana Campagnolo, gravamos este vídeo há alguns meses, em mais um gesto de minha parte para buscarmos unidade contra o mal maior que é o PT. Gostaria que você também gravasse um vídeo apoiando o outro indicado de Jair Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina, meu irmão Carlos Bolsonaro. Preciso dele e da Carol de Toni no Senado em 2027. Caso não possa fazê-lo, vou compreender, mas também compreenda se eu te pedir pra não usar mais minha imagem nem a de Jair Bolsonaro. Posso contar com você?”, escreveu Flávio.

Campagnolo respondeu cerca de duas horas depois. Explicou que o vídeo havia sido gravado em maio, que recebeu o material recentemente e que nenhuma condição havia sido apresentada para seu uso. Ao tratar da candidatura de Carlos, reafirmou compromisso com o projeto partidário, mas não declarou apoio nominal ao candidato.

“Quanto à candidatura de seu irmão Carlos ao Senado, seguirei trabalhando para concretizar os objetivos definidos pelo nosso partido em Santa Catarina, como venho fazendo ao longo dos últimos anos e como tenho afirmado publicamente sempre que sou questionada sobre o assunto em entrevistas e podcasts. Estou à disposição de toda a nossa nominata majoritária para contribuir com gravações e demais ações de campanha que possam fortalecer o projeto do PL. Até o momento, não recebi mais nenhuma solicitação nesse sentido, mas sigo à disposição”, respondeu Campagnolo.

A diferença entre as duas manifestações está no centro da nova crise. Flávio pediu uma declaração direta de apoio ao irmão; Campagnolo respondeu reafirmando compromisso com o PL, sem dizer que votará em Carlos ou que pedirá votos para ele.

COBRANÇA OCORRE APÓS CAMPAGNOLO SE RECUSAR A PEDIR VOTOS PARA CARLOS

O episódio acontece poucos dias depois de outra situação que evidenciou a resistência de Campagnolo à candidatura. Durante uma gravação em Itajaí com a deputada federal Caroline de Toni e o vice-prefeito Rubens Angioletti, a parlamentar interrompeu o vídeo quando Angioletti começou a pedir votos também para Carlos Bolsonaro.

Segundo relato publicado pelo Portal Making Of, Campagnolo afirmou naquele momento que não pediria votos para Carlos. A situação ocorreu depois da convenção estadual do PL, realizada em 1º de agosto, que homologou Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni como candidatos ao Senado e confirmou Campagnolo na disputa pela reeleição à Assembleia Legislativa.

A formalização da chapa, portanto, não encerrou as divergências internas. Carlos passou a integrar oficialmente o projeto eleitoral do partido em Santa Catarina, mas isso não significou adesão automática de todas as lideranças da sigla.

CANDIDATURA DE CARLOS DIVIDE O PL CATARINENSE DESDE O INÍCIO

Ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro entrou na disputa por uma das duas vagas catarinenses no Senado após uma articulação que provocou resistência dentro do PL estadual. Parte das críticas se concentrou no argumento de que sua candidatura retiraria espaço de lideranças com trajetória política construída em Santa Catarina.

Campagnolo esteve entre os nomes que manifestaram publicamente desconforto com a movimentação. Desde então, a disputa gerou sucessivos atritos envolvendo integrantes do PL catarinense e da própria família Bolsonaro.

Em abril, Carlos ficou de fora de uma fotografia divulgada pela deputada, episódio que provocou críticas de aliados do candidato. No mês seguinte, o governador Jorginho Mello participou de uma tentativa de aproximação, e Carlos chegou a tornar público um pedido de desculpas a Campagnolo.

A trégua, porém, não significou apoio político explícito. Campagnolo passou a afirmar que respeitaria as decisões do partido, mas manteve distância de uma defesa direta da candidatura de Carlos.

ATRITO COM JORGE SEIF REACENDEU DISPUTA

A cobrança de Flávio ocorre também depois de uma nova troca de acusações entre Campagnolo e o senador Jorge Seif. Na semana passada, a deputada chamou Seif de “o senador mais incompetente do Estado” e voltou a criticar a escolha de representantes que, na avaliação dela, não teriam vínculos suficientemente fortes com Santa Catarina.

Seif reagiu afirmando que as críticas seriam uma forma indireta de atingir Carlos Bolsonaro. A interpretação é do próprio senador. O confronto se agravou quando ele chamou Campagnolo de “traíra” e de “Joice Catarinense”.

Foi nesse ambiente de tensão que Flávio decidiu entrar diretamente na disputa, ampliando o alcance de um conflito que até então estava concentrado principalmente entre lideranças do bolsonarismo catarinense.

PRESSÃO DE FLÁVIO LEVA CRISE PARA CAMPANHA PRESIDENCIAL

A intervenção de Flávio dá uma nova dimensão ao episódio porque parte do próprio candidato presidencial do PL. Além de pedir apoio ao irmão, ele afirmou que precisa de Carlos e Caroline de Toni no Senado em 2027, conectando diretamente a disputa catarinense ao projeto político nacional da legenda.

A forma escolhida para fazer a cobrança também teria provocado desconforto. Segundo o Portal Making Of, políticos do PL avaliaram nos bastidores que Flávio deveria ter procurado Campagnolo diretamente antes de expor a divergência nos comentários de uma publicação. Como os interlocutores não foram identificados, a informação deve ser tratada como relato atribuído ao veículo.

O episódio reforça que a convenção resolveu formalmente a composição da chapa, mas não eliminou as tensões provocadas pela candidatura de Carlos.

CAMPAGNOLO TEM BASE ELEITORAL PRÓPRIA

A resistência da deputada ganha peso porque Campagnolo possui capital eleitoral expressivo dentro do campo conservador catarinense. Nas eleições de 2022, recebeu 196.571 votos, tornando-se a candidata mais votada daquele pleito para a Assembleia Legislativa.

Além do desempenho nas urnas, construiu uma base própria nas redes sociais, o que torna seu apoio potencialmente relevante para Carlos. Uma manifestação explícita poderia ajudar a transmitir unidade entre nomes importantes do bolsonarismo estadual; a ausência dela mantém visível a divisão.

Isso não significa que os eleitores de Campagnolo necessariamente seguirão sua posição na eleição para o Senado, mas torna a postura da deputada uma variável importante na tentativa de Carlos de consolidar o eleitorado bolsonarista em Santa Catarina.

FLÁVIO TRANSFORMA APOIO A CARLOS EM QUESTÃO DE LEALDADE POLÍTICA

A principal novidade do episódio não é a resistência de Campagnolo, já conhecida desde que Carlos decidiu disputar o Senado por Santa Catarina nas eleições de 2026. O novo elemento está na forma como Flávio decidiu responder a essa resistência.

Ao associar a continuidade do uso de sua imagem e da imagem de Jair Bolsonaro a uma demonstração de apoio a Carlos, Flávio transformou a divergência interna também em uma questão de reciprocidade política. A mensagem deixa claro que o presidenciável espera que Campagnolo corresponda ao apoio recebido da família Bolsonaro trabalhando pela eleição de seu irmão.

A deputada, porém, manteve a mesma linha que vem adotando: reafirmou compromisso com o PL e disponibilidade para participar das ações da chapa, mas evitou declarar apoio explícito a Carlos.

Flávio pediu apoio nominal ao irmão. Campagnolo respondeu com apoio institucional ao partido. Essa diferença resume uma divisão que a convenção não conseguiu apagar.

Carlos está oficialmente na chapa, conta com Jair Bolsonaro, com Flávio e com a estrutura do PL, mas uma das principais lideranças eleitorais do partido em Santa Catarina ainda evita dizer que pedirá votos para ele.