A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou uma moção para pedir ao governo federal medidas voltadas à manutenção da qualidade e da acessibilidade dos serviços bancários oferecidos por instituições financeiras contratadas pelo poder público. A proposta, apresentada pelo deputado Padre Pedro Baldissera (PT), foi aprovada na terça-feira (11) e será encaminhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, e ao coordenador da bancada catarinense no Congresso, deputado Ismael dos Santos.
A iniciativa ocorre após uma audiência pública realizada no dia 5 na Alesc, que discutiu o fechamento de agências bancárias em Santa Catarina. O debate ganhou relevância diante da redução da presença física dos bancos no estado: segundo os dados apresentados na audiência, 40% das agências e 30% dos postos de trabalho foram perdidos na última década, enquanto 44% dos municípios catarinenses não contam atualmente com unidades presenciais.
SERVIÇOS BANCÁRIOS E A REDUÇÃO DAS AGÊNCIAS
A moção aprovada pela Alesc busca levar o tema às autoridades federais e defender a manutenção do atendimento presencial, especialmente em localidades onde o acesso a alternativas digitais é mais limitado.
De acordo com os dados apresentados durante a audiência pública, a redução das unidades físicas já afeta mais de 600 mil pessoas em Santa Catarina. O cenário é particularmente relevante para municípios menores, que dependem das agências para serviços que nem sempre podem ser substituídos integralmente por canais digitais.
O documento foi encaminhado por Padre Pedro em cumprimento a um compromisso assumido durante a audiência promovida pela Comissão dos Direitos do Consumidor da Assembleia.
TECNOLOGIA E ATENDIMENTO HUMANO ENTRAM NO DEBATE
Na justificativa da moção, Padre Pedro relacionou a expansão da tecnologia no setor financeiro à necessidade de preservar alternativas de atendimento presencial.
“A recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, ressalta a necessidade de salvaguarda da pessoa humana diante dos desafios decorrentes da inteligência artificial”, disse Padre Pedro na moção.
Na sequência, o deputado defendeu a combinação entre digitalização e atendimento presencial.
“A tecnologia é importante, mas não substitui o atendimento humano. Precisamos garantir que ninguém seja deixado para trás, nem clientes e nem trabalhadores bancários, por causa da digitalização dos serviços”, defendeu o deputado.
FECHAMENTO DE AGÊNCIAS AFETA MUNICÍPIOS MENORES
A audiência pública também reuniu representantes da Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC), além de bancários e economistas de diferentes regiões do estado.
Durante o encontro, foram discutidos os efeitos do fechamento das unidades físicas, principalmente em cidades menores. A entidade apontou mudanças na estratégia dos grandes bancos brasileiros, com maior concentração de esforços em clientes de alta renda.
Segundo a avaliação apresentada no debate, o processo começa com a redução da estrutura física e pode resultar em dificuldades de atendimento para parcelas da população, além da eliminação de postos de trabalho.
MOÇÃO AGORA SEGUE PARA AUTORIDADES FEDERAIS
Com a aprovação da moção, o pedido formulado pela Alesc será encaminhado às autoridades federais citadas no documento. A discussão também mantém em evidência os efeitos da redução das agências sobre consumidores e trabalhadores do setor financeiro em Santa Catarina.
A continuidade do debate deverá depender das medidas que poderão ser adotadas em âmbito federal para conciliar a expansão dos canais digitais com a oferta de atendimento presencial, especialmente nos municípios que perderam suas unidades bancárias nos últimos anos.


