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Movimento Mulher Viva amplia debate sobre violência contra a mulher em São José

O Movimento Mulher Viva promoveu, na segunda-feira (10), um encontro sobre prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher na Estácio, em São José. A atividade reuniu estudantes, representantes de instituições e integrantes da comunidade acadêmica para discutir formas de identificar situações de violência, fortalecer o acolhimento e ampliar o acesso à informação.

Realizado na abertura do segundo semestre, o encontro colocou o tema no ambiente universitário durante o Agosto Lilás, período de conscientização sobre a violência contra a mulher. A proposta também reforçou a atuação conjunta de instituições de São José na prevenção e na formação de uma rede de proteção.

MOVIMENTO MULHER VIVA DISCUTE COMO ROMPER O CICLO DE VIOLÊNCIA

Durante a programação, a guarda municipal de São José Ângela Welter conduziu uma palestra sobre os fatores que podem dificultar a saída de uma mulher de um relacionamento violento.

Medo, dependência financeira e emocional, vergonha, isolamento e ausência de uma rede de apoio foram apontados como obstáculos que podem manter a vítima dentro do ciclo de violência.

A discussão também chamou atenção para comportamentos que costumam ser naturalizados nas relações, como ciúme excessivo e controle, frequentemente confundidos com demonstrações de afeto.

Welter destacou ainda a importância da sororidade e da atenção às chamadas pequenas violências presentes no cotidiano. A prevenção, nesse contexto, depende também da capacidade de familiares, amigos e da sociedade de reconhecer sinais e oferecer apoio.

REDE DE INSTITUIÇÕES BUSCA FORTALECER A PREVENÇÃO

O Movimento Mulher Viva é desenvolvido pela Prefeitura de São José, por meio da Fundação Educacional de São José (Fundesj), em parceria com a Guarda Municipal, a Estácio, a Câmara de Vereadores e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Na abertura do evento, o pró-reitor da Estácio, Jackson da Silva Gullo, ressaltou a necessidade de manter o debate presente na formação acadêmica.

“É uma discussão que começou de forma coletiva no início do ano com diferentes instituições em torno dessa questão que precisa ser enfrentada por toda a sociedade”.

Para a superintendente da Fundesj, Maria Helena Krüger, a união entre diferentes setores permite ampliar a rede de prevenção e proteção.

“Quando unimos a educação, o poder público, as instituições jurídicas e a comunidade, conseguimos ampliar o diálogo e fortalecer a rede de proteção. O Movimento Mulher Viva nasce justamente com esse propósito, de promover informação, conscientização e ações que contribuam para uma sociedade mais segura e igualitária para as mulheres”, afirmou.

PROJETO ATUA EM PREVENÇÃO, ACOLHIMENTO E AUTONOMIA

A professora de Ensino e Extensão da Estácio, Roberta Caetano, explicou que o projeto está estruturado em três frentes: prevenção, acolhimento e orientação, além do incentivo à autonomia financeira.

Segundo ela, a educação desde a infância é uma das estratégias para prevenir relações violentas. Já o acolhimento envolve ouvir a mulher, compreender a situação e direcioná-la aos serviços que podem oferecer atendimento adequado.

Na Estácio, essa articulação inclui a Clínica de Psicologia e o Núcleo de Práticas Jurídicas, ampliando as possibilidades de orientação para quem busca ajuda.

A autonomia financeira também aparece como um dos pontos de atenção, principalmente em situações nas quais a dependência econômica dificulta o rompimento de uma relação abusiva.

“Precisamos dar esse passo para ter uma mudança efetiva. Que a gente não fique só assistindo, mas que sejamos mais ativos”, afirmou Roberta.

LEI MARIA DA PENHA É TEMA DE ORIENTAÇÃO JURÍDICA

Representantes da OAB – subseção São José, Dra. Tais Ramos Santarosa e Dra. Andreia Paula Roman, participaram da programação com orientações sobre direitos e mecanismos legais de proteção.

A palestra abordou a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026, além das diferentes formas de violência reconhecidas pela legislação.

“Além da violência física, há violência psicológica, sexual, patrimonial e moral. Neste ano, a lei também passou a reconhecer a violência vicária, que ocorre quando o agressor utiliza filhos ou outras pessoas próximas para atingir a mulher”, explicou Tais.

As medidas protetivas de urgência também foram apresentadas como instrumentos jurídicos destinados a reduzir riscos e preservar a segurança das vítimas.

Além da proteção prevista em lei, o encontro reforçou que o acolhimento adequado é fundamental para que a mulher consiga buscar os serviços disponíveis e compreender quais alternativas estão ao alcance.

DEBATE TAMBÉM CONTRIBUI PARA A FORMAÇÃO DOS ESTUDANTES

A participação da comunidade acadêmica levou a discussão para além da conscientização e relacionou o tema à preparação dos futuros profissionais.

Estudante da terceira fase de Direito, Júlia Gracino, de 21 anos, destacou a importância de compreender como lidar com situações de violência que podem surgir na prática profissional.

“É um tema muito importante de ser falado na sociedade, mas eu também olhei para o meu curso. Penso que vamos lidar muito com isso na prática e é importante saber como acontece e, principalmente, como acolher essas mulheres”.

A iniciativa integra as ações do Agosto Lilás e mantém a discussão sobre violência contra a mulher em espaços de educação, atendimento e formação. A expectativa é que a articulação entre as instituições contribua para ampliar o acesso à informação, fortalecer os canais de acolhimento e transformar o debate em ações permanentes de prevenção e proteção em São José.


Com informações de Prefeitura de São José