quinta-feira, 24 setembro , 2026

Flávio Bolsonaro usou jatinho ligado a Daniel Vorcaro em viagem com a família, diz revista

por Adriana Dias
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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, viajou com a família, em janeiro de 2025, em um jatinho que tinha entre seus cotistas uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, segundo reportagem publicada pela revista piauí. A aeronave é a mesma que, sete meses depois, foi utilizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O voo ocorreu em 19 de janeiro de 2025, entre Fort Lauderdale, na Flórida, e Brasília. Além de Flávio, estavam na aeronave a mulher dele, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador.

Tomaz é investigado no caso dos desvios bilionários do INSS. À piauí, ele afirmou que possuía uma das três cotas da aeronave e que oferecia caronas a amigos quando havia lugares disponíveis, sem cobrança ou qualquer tipo de contrapartida.

JATO ERA ADMINISTRADO POR EMPRESA QUE TEVE VORCARO COMO SÓCIO

A aeronave identificada pela piauí é um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Segundo a revista, o avião tinha sua propriedade compartilhada entre três cotistas.

Na época da viagem de Flávio Bolsonaro, uma das participações pertencia à Prime You, empresa que teve Daniel Vorcaro como sócio. A companhia também estava envolvida na operação da aeronave por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços.

De acordo com a apuração, a Prime You havia adquirido um terço das cotas do jatinho no fim de 2024. Vorcaro permaneceu como sócio da empresa até setembro de 2025.

A reportagem afirma ter identificado a aeronave utilizada por Flávio a partir do cruzamento de registros históricos de tráfego aéreo, informações do Registro Aeronáutico Brasileiro e dados de movimentações aeroportuárias.

Os registros apontaram que o PP-NLR partiu de Fort Lauderdale e pousou em Brasília em 19 de janeiro de 2025, coincidindo com a data, a origem e o destino da viagem de Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz identificada em registros da Polícia Federal.

WILLER TOMAZ DISSE QUE OFERECIA CARONAS A AMIGOS

Willer Tomaz informou à piauí que detinha, por meio de uma empresa, um terço das cotas da sociedade proprietária da aeronave.

Segundo ele, a Prime You era responsável pela administração do avião e pela organização da escala de utilização. O advogado afirmou ainda que oferecia caronas a amigos quando havia assentos disponíveis e destinos coincidentes.

Tomaz declarou que essas viagens não envolviam pagamentos ou contrapartidas. Também afirmou que somente em abril de 2026 teria descoberto que Daniel Vorcaro havia adquirido participação na aeronave e que, depois disso, rompeu o contrato e entrou em litígio com a Prime You.

O empresário declarou ainda não conhecer Vorcaro e disse nunca ter realizado negócios com o ex-banqueiro.

FLÁVIO BOLSONARO COMENTOU VIAGEM APÓS DIVULGAÇÃO

Depois da publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro se manifestou nas redes sociais e fez referência ao fato de a mesma aeronave ter sido utilizada posteriormente por Alexandre de Moraes.

“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu.

A declaração faz referência à viagem realizada por Moraes e pela mulher, Viviane Barci, em agosto de 2025.

O escritório Barci de Moraes afirmou anteriormente que contratou serviços da Prime Aviation e negou a existência de vínculo pessoal na escolha da empresa. Segundo a banca, a definição das aeronaves utilizadas cabia à companhia de aviação contratada.

VIAGEM OCORREU DURANTE NEGOCIAÇÕES PARA FINANCIAR FILME SOBRE JAIR BOLSONARO

A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu no período em que avançavam negociações para o financiamento de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Segundo a piauí, o cronograma discutido à época previa aportes para a produção do filme, incluindo uma parcela de US$ 2 milhões em 20 de janeiro de 2025 — um dia depois do retorno de Flávio a Brasília — e outra de mesmo valor cinco dias mais tarde.

A revista relata que, após desembarcar no Brasil, Flávio procurou interlocutores envolvidos nas tratativas e cobrou agilidade na liberação dos recursos.

O primeiro repasse previsto não ocorreu na data inicialmente planejada. Segundo a reportagem, uma transferência de US$ 2 milhões foi realizada posteriormente, em 13 de fevereiro, para um fundo nos Estados Unidos relacionado ao financiamento da produção.

As informações sobre a viagem acrescentam um novo elemento às reportagens que vêm examinando as relações entre personagens próximos a Flávio Bolsonaro e empresas ou pessoas ligadas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A existência dessas conexões, por si só, não estabelece participação do candidato nas irregularidades investigadas no caso Master.

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Com informações de Agência Brasil

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