O eleitorado catarinense chega às eleições de 2026 com mudanças demográficas que podem influenciar o nível de participação nas urnas. Dados divulgados pela Justiça Eleitoral mostram crescimento nas faixas etárias que tradicionalmente registram maior comparecimento, enquanto diminuiu o número de eleitores mais jovens, grupo que costuma apresentar índices mais elevados de abstenção.
O cenário também é marcado pelo aumento do total de votantes no Estado e pelo histórico de maior mobilização nas disputas para presidente da República, governador, Senado e Legislativo. A combinação desses fatores reforça a expectativa de um comparecimento superior ao registrado nas eleições municipais de 2024.
ELEITORADO CATARINENSE GANHA MAIS ELEITORES NAS FAIXAS QUE MAIS VOTAM
Os números do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) apontam que o conjunto de eleitores entre 30 e 69 anos cresceu em 71 mil pessoas entre 2024 e 2026. Essas faixas etárias concentram, historicamente, os maiores índices de participação eleitoral.
Na direção oposta, o grupo de 18 a 29 anos perdeu 61 mil eleitores no mesmo período. Essa é justamente a faixa de voto obrigatório que costuma apresentar menor comparecimento nas últimas eleições.
Outro movimento observado foi o crescimento do eleitorado de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo. O Estado ganhou cerca de 4 mil novos eleitores dessa idade desde 2024.
Segundo o desembargador do TRE-SC e diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina (EJESC), Sérgio Francisco Carlos, campanhas voltadas ao público jovem têm contribuído para ampliar a participação desse segmento, que vem registrando evolução desde as eleições de 2018.
ELEIÇÕES GERAIS COSTUMAM MOBILIZAR MAIS ELEITORES
Além das mudanças no perfil do eleitorado, o tipo de disputa também influencia a participação.
As eleições gerais, que definem presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, tradicionalmente despertam maior interesse do eleitorado do que as eleições municipais.
Embora esse comportamento não tenha ocorrido em 2014, ele foi registrado nas eleições de 2018 e 2022, indicando uma tendência que pode voltar a se repetir em 2026.
Santa Catarina também já apresentou níveis elevados de comparecimento. Durante a década passada, o Estado chegou a registrar participação de aproximadamente 87% dos eleitores no primeiro turno das eleições gerais. Em 2024, porém, o índice caiu para 78%, igualando a média nacional.
IDOSOS REPRESENTAM 10% DO ELEITORADO E AMPLIAM PARTICIPAÇÃO
Outro destaque do novo perfil do eleitorado catarinense é o avanço da população idosa.
Os eleitores com 70 anos ou mais somam hoje cerca de 10% do total de votantes do Estado, com acréscimo de aproximadamente 73 mil pessoas em relação a 2024.
Embora o comparecimento desse grupo ainda fique abaixo da média, especialmente entre pessoas com 80 anos ou mais, os índices vêm aumentando desde 2018.
O desembargador Sérgio Francisco Carlos avalia que ainda existe espaço para elevar essa participação. Entre os fatores que dificultam o comparecimento estão questões relacionadas à saúde, mobilidade urbana e desmotivação política.
Para reduzir esses obstáculos, a Justiça Eleitoral mantém prioridade nas filas para pessoas com 60 anos ou mais, atendimento preferencial aos eleitores com 80 anos ou mais e garante o direito de pessoas com mobilidade reduzida entrarem na cabine de votação acompanhadas por alguém de confiança.
VOTO FACULTATIVO AINDA APRESENTA MAIOR ABSTENÇÃO
Os grupos com voto facultativo representam pouco menos de 12% do eleitorado catarinense em 2026.
Além dos jovens de 16 e 17 anos e dos idosos acima de 70 anos, esse grupo inclui pessoas analfabetas, que atualmente correspondem a cerca de 1% dos eleitores do Estado.
Apesar da evolução observada entre jovens e idosos, a diferença de comparecimento continua significativa. Nas eleições de 2024, aproximadamente 59% dos eleitores com voto facultativo participaram da votação, enquanto entre aqueles com voto obrigatório o índice chegou a 81%.
MULHERES AMPLIAM MAIORIA ENTRE OS ELEITORES
Santa Catarina alcançou 5.725.753 eleitores aptos a votar em 2026, crescimento de aproximadamente 85 mil pessoas em comparação com dois anos antes.
As mulheres seguem sendo maioria no eleitorado e ampliaram essa vantagem. Em 2024, havia cerca de 212 mil eleitoras a mais que homens. Agora, essa diferença passou para aproximadamente 258 mil.
Embora as mulheres tenham registrado participação ligeiramente superior à dos homens nas eleições de 2022 e 2024, o efeito dessa mudança sobre o comparecimento total ainda é considerado incerto.
ESCOLARIDADE CRESCE E DADOS DE COR E RAÇA PERMANECEM ESTÁVEIS
O levantamento também mostra continuidade no avanço da escolarização do eleitorado, embora o Ensino Médio completo permaneça como o nível de instrução mais frequente.
Em relação à autodeclaração de cor ou raça, as alterações foram pequenas. Apenas cerca de um em cada dez eleitores catarinenses informou essa informação à Justiça Eleitoral, proporção semelhante à observada em todo o país.
Nas eleições de 2024, eleitores pretos e pardos registraram índices de abstenção superiores aos demais grupos.
ABSTENÇÃO ENVOLVE FATORES ALÉM DO PERFIL DOS ELEITORES
Especialistas apontam que o comparecimento às urnas não depende apenas da composição do eleitorado. Questões como deslocamento até os locais de votação, mobilidade urbana e facilidade de acesso também influenciam a decisão de votar.
Para quem possui voto obrigatório, deixar de votar sem justificativa pode resultar em situação eleitoral irregular, impedindo, por exemplo, participação em concursos públicos, posse em cargos públicos, emissão de passaporte, regularização do CPF, matrícula em instituições de ensino e acesso a outros serviços previstos em lei.
Após três eleições consecutivas sem votar nem justificar a ausência, o título de eleitor pode ser cancelado. Ainda assim, a regularização costuma envolver procedimentos simples e pagamento de multas de baixo valor.
Para o desembargador Sérgio Francisco Carlos, a conscientização continua sendo o caminho mais eficiente para fortalecer a participação popular. Sobre a presença dos eleitores nas urnas, ele resume: “A participação deixa a democracia mais altiva.”
Com informações de ALESC
