Com o fim das convenções partidárias, os principais partidos definiram as chapas para a Presidência da República e para o Governo de Santa Catarina. Confira quem disputará os principais cargos do Executivo e as duas vagas ao Senado.
As convenções partidárias para as eleições de 2026 foram encerradas nesta quarta-feira (5), consolidando as principais chapas que disputarão a Presidência da República e os governos estaduais. A etapa marcou a definição das alianças políticas, das candidaturas majoritárias e dos nomes que concorrerão às duas vagas ao Senado em cada estado. Agora, partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para registrar oficialmente as candidaturas na Justiça Eleitoral, enquanto a campanha começa no dia 16 de agosto.
No cenário nacional, as convenções confirmaram a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), além da candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que tenta consolidar uma alternativa no campo da centro-direita.
Em Santa Catarina, as convenções também definiram os principais blocos que disputarão o Governo do Estado, em uma eleição que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos.
CALENDÁRIO ELEITORAL
Após o encerramento das convenções, o processo eleitoral entra em uma nova fase. A partir de agora, partidos, federações e coligações devem formalizar os pedidos de registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, etapa que antecede o início oficial da campanha. Confira as principais datas que marcam o calendário das eleições de 2026:
| Etapa | Data |
|---|---|
| Encerramento das convenções | 5 de agosto |
| Prazo final para registro das candidaturas | 15 de agosto |
| Início da propaganda eleitoral | 16 de agosto |
| Primeiro turno | 4 de outubro |
PRINCIPAIS CHAPAS À PRESIDÊNCIA
Com o encerramento das convenções nacionais, o cenário da disputa pela Presidência da República ganhou contornos mais definidos. As principais forças políticas oficializaram seus candidatos e consolidaram as alianças que disputarão o Palácio do Planalto em outubro. Além das chapas lideradas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), outros partidos também confirmaram candidaturas próprias, ampliando o número de opções que estarão à disposição do eleitor. A tabela abaixo reúne as principais chapas presidenciais homologadas com o fim das convenções partidárias.
| Presidente | Vice | Partido |
|---|---|---|
| Luiz Inácio Lula da Silva | Geraldo Alckmin | PT / PSB |
| Flávio Bolsonaro | Alfredo Gaspar | PL |
| Ronaldo Caiado | Gilberto Kassab | PSD |
| Romeu Zema | Eduardo Girão | Novo |
| Renan Santos | Aroldo Medina | Missão |
| Samara Martins | Raquel Bricio | Unidade Popular |
| Hertz Dias | Vanessa Portugal | PSTU |
| Edmilson Costa | Cleusa Santos | PCB |
| Rui Costa Pimenta | Antônio Carlos Silva | PCO |
A manutenção da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin preserva a aliança que venceu as eleições de 2022 e representa a continuidade do projeto do atual governo federal.
No campo da direita, o PL oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência e definiu apenas no último dia das convenções o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice. Já o PSD confirmou Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto, tendo o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, como vice, buscando ocupar um espaço alternativo entre o governo federal e o bolsonarismo.
Além das três principais candidaturas, partidos de menor representação também homologaram seus nomes para a disputa presidencial, ampliando o número de opções que estarão disponíveis ao eleitor, embora parte das composições ainda possa ser ajustada durante o período de registro das candidaturas.
COMO FICOU A DISPUTA PELO GOVERNO DE SANTA CATARINA
As convenções também consolidaram o cenário da eleição estadual.
| Governador | Vice | Candidatos ao Senado |
|---|---|---|
| Jorginho Mello (PL) | Adriano Silva (Novo) | Caroline de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) |
| João Rodrigues (PSD) | Carlos Chiodini (MDB) | Esperidião Amin (PP) e Antídio Lunelli (MDB) |
| Gelson Merisio (PSB) | Angela Albino (PDT) | Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) |
| Marcelo Brigadeiro (Missão) | Coronel Marcelo Rodrigues | Túlio Pfuetzenreiter |
| Marcus Sodré (PSTU) | Professora Taty | Joaninha de Oliveira e Marcos Dorval |
| Laís Chaud (UP) | Nathália Melo | Ana Lúcia da Silveira e Marlene Soccas |
| Ralf Zimmer (Federação Renovação Solidária) | Definição pendente | Jeferson Rocha |
As chapas poderão sofrer ajustes até o encerramento do prazo para registro na Justiça Eleitoral.
TRÊS GRANDES BLOCOS CONCENTRAM A DISPUTA EM SANTA CATARINA
Embora sete grupos tenham homologado candidaturas ao Governo do Estado, a disputa tende a ser concentrada em três grandes blocos políticos.
Jorginho Mello busca a reeleição

O governador Jorginho Mello foi confirmado pelo PL para disputar um novo mandato. A chapa reúne o ex-prefeito de Joinville Adriano Silva (Novo) como candidato a vice e os deputados Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro como candidatos ao Senado.
A composição transforma Santa Catarina em um dos principais palanques da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, reforçando o protagonismo do estado dentro da estratégia nacional do PL.
João Rodrigues bate de frente contra Jorginho

O ex-prefeito de Chapecó João Rodrigues comandará a principal aliança de centro-direita contra o atual governo estadual.
A chapa reúne PSD, MDB e a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Carlos Chiodini será o candidato a vice, enquanto Esperidião Amin e Antídio Lunelli disputarão o Senado.
A candidatura também representa o principal palanque catarinense da campanha presidencial de Ronaldo Caiado.
Gelson Merísio une partidos de centro-esquerda

O terceiro maior bloco estadual será liderado por Gelson Merisio (PSB), tendo Angela Albino (PDT) como candidata a vice-governadora.
A coligação reúne PSB, PDT, Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e Federação PSOL/Rede, formando o principal palanque catarinense da candidatura à reeleição de Lula.
Para o Senado, a frente confirmou Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL).
DESTAQUES DAS CONVENÇÕES
O encerramento das convenções partidárias não apenas definiu quem estará na disputa eleitoral de 2026, mas também revelou movimentos estratégicos que ajudam a compreender como os principais grupos políticos pretendem conduzir a campanha nos próximos meses. As alianças formadas, a escolha de candidatos a vice, a composição das chapas ao Senado e a distribuição dos palanques estaduais oferecem pistas sobre o grau de unidade de cada campo político, suas prioridades eleitorais e os desafios que enfrentarão até a votação de outubro. Em Santa Catarina, onde a disputa nacional se conecta diretamente à eleição estadual, algumas decisões tomadas durante as convenções podem influenciar significativamente o rumo da campanha.
Flávio Bolsonaro fecha chapa no último dia e expõe dificuldade para ampliar alianças
A escolha de Alfredo Gaspar como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro ocorreu apenas no último dia reservado às convenções partidárias. Mais do que uma questão de calendário, a demora evidencia a dificuldade do PL para atrair uma liderança de outra legenda e construir uma coligação nacional mais ampla.
Ao confirmar dois integrantes do próprio partido, o PL optou por uma chapa puro-sangue. A decisão preserva o controle político da candidatura dentro da legenda e evita concessões programáticas ou eleitorais a aliados, mas também revela o relativo isolamento de Flávio Bolsonaro entre partidos de centro e centro-direita.
Sob uma perspectiva progressista, a composição mostra que o bolsonarismo permanece eleitoralmente relevante, mas enfrenta obstáculos para transformar sua base social em uma frente partidária semelhante à construída por Jair Bolsonaro em 2022. A candidatura depende fortemente do sobrenome Bolsonaro, da mobilização ideológica de seus apoiadores e da tentativa de transferir ao filho mais velho o capital político acumulado pelo ex-presidente.
A escolha de Alfredo Gaspar também acrescenta novos pontos de tensão à campanha. O deputado é identificado com pautas conservadoras e com um discurso de endurecimento penal, reforçando a estratégia do PL de consolidar seu eleitorado mais fiel em vez de buscar maior aproximação com o centro político.
Carlos Bolsonaro transforma Santa Catarina em peça central da estratégia nacional do PL
A homologação de Carlos Bolsonaro como candidato ao Senado por Santa Catarina amplia a dimensão nacional da eleição estadual. Ex-vereador do Rio de Janeiro, ele transferiu seu domicílio eleitoral para o estado e passou a ocupar uma das posições mais relevantes da chapa liderada por Jorginho Mello.
A candidatura consolida Santa Catarina como um dos principais pilares da estratégia eleitoral do bolsonarismo. O estado deixa de ser apenas um reduto eleitoral favorável à família Bolsonaro para assumir papel central na tentativa de ampliar a presença do grupo no Congresso Nacional.
A movimentação também desperta debate sobre a representação política catarinense. Carlos Bolsonaro construiu toda a sua carreira pública no Rio de Janeiro e não possui trajetória política vinculada às principais pautas do estado. Sua candidatura aposta principalmente na força nacional do sobrenome Bolsonaro e na elevada identificação de parte do eleitorado catarinense com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sob uma leitura crítica, essa escolha reforça a tendência de nacionalização da disputa em Santa Catarina, deslocando parte do debate estadual para temas ligados ao embate ideológico nacional.
Jorginho Mello e João Rodrigues disputam o mesmo campo político conservador
As convenções confirmaram Jorginho Mello e João Rodrigues como líderes dos dois maiores blocos de direita e centro-direita de Santa Catarina.
Jorginho reúne o campo mais identificado com o bolsonarismo. Sua chapa concentra PL, Novo e outros partidos aliados, além de Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro como candidatos ao Senado. A estratégia é integrar a campanha estadual ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro.

Embora apresentem diferenças de liderança e composição partidária, ambas as candidaturas disputam um eleitorado semelhante e defendem, em linhas gerais, agendas conservadoras na economia e nos costumes. A principal diferença está na vinculação nacional: Jorginho aposta na identidade bolsonarista, enquanto João Rodrigues procura construir uma alternativa de direita menos dependente do PL e mais apoiada em lideranças regionais.
Essa divisão tende a fragmentar o campo conservador durante o primeiro turno, ao mesmo tempo em que amplia a competição por prefeitos, vereadores, lideranças empresariais e bases eleitorais historicamente alinhadas à direita catarinense.
Campo Democrático aposta na unidade para enfrentar a hegemonia conservadora

A constituição do Campo Democrático, reunindo o time do Lula em Santa Catarina, foi uma das decisões mais relevantes das convenções em Santa Catarina. Pela primeira vez em vários anos, sete partidos do campo progressista decidiram apoiar uma única candidatura ao governo do estado.
A chapa formada por Gelson Merisio, Angela Albino, Décio Lima e Afrânio Boppré representa uma tentativa de superar a fragmentação que marcou eleições anteriores e que dificultou o crescimento eleitoral da esquerda catarinense.
Ao reunir PSB, PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede, a coligação amplia sua estrutura política, o tempo de propaganda e a capacidade de organização territorial.
Ao mesmo tempo, o grupo enfrenta o desafio de construir uma identidade programática clara. A trajetória política de Gelson Merisio, construída durante muitos anos em partidos de centro-direita, exigirá que a campanha demonstre ao eleitorado quais compromissos diferenciam esse projeto das demais candidaturas.
A expectativa dos partidos que compõem a frente é deslocar parte do debate eleitoral para temas como saúde pública, educação, redução das desigualdades, preservação ambiental, fortalecimento das instituições democráticas e ampliação das políticas sociais.
Duas vagas ao Senado tornam a disputa ainda mais estratégica
A eleição de 2026 terá duas cadeiras do Senado em disputa por Santa Catarina, fator que aumenta significativamente a importância das composições majoritárias.
Como cada eleitor poderá votar em dois candidatos, as coligações buscaram montar chapas equilibradas, capazes de conquistar ambas as vagas ou, ao menos, assegurar representação no Congresso Nacional.
Essa configuração também amplia o peso político da eleição catarinense no cenário nacional. Os futuros senadores participarão de decisões fundamentais, como a aprovação de ministros dos tribunais superiores, autoridades do Banco Central, do procurador-geral da República e de alterações constitucionais.
Por isso, mais do que uma disputa entre nomes conhecidos, a eleição para o Senado definirá quais projetos políticos representarão Santa Catarina em temas centrais para a democracia, a economia e os direitos da população nos próximos anos.
As três principais coligações apresentaram nomes com forte projeção política: Caroline de Toni e Carlos Bolsonaro pela chapa de Jorginho Mello; Esperidião Amin e Antídio Lunelli pela aliança de João Rodrigues; e Décio Lima e Afrânio Boppré pelo Campo Democrático.
PRÓXIMOS PASSOS
Com o encerramento das convenções partidárias, o processo eleitoral entra agora na fase de registro das candidaturas. Até 15 de agosto, partidos e federações deverão apresentar toda a documentação à Justiça Eleitoral, que analisará os pedidos de registro antes da confirmação definitiva dos candidatos.
A propaganda eleitoral será liberada a partir de 16 de agosto, quando as campanhas poderão iniciar oficialmente nas ruas, na internet e nos demais meios autorizados pela legislação eleitoral. A partir dessa data, a disputa pelas presidências da República, dos governos estaduais e das duas vagas ao Senado entra efetivamente em sua fase pública, dando início ao período mais intenso das eleições de 2026.


