segunda-feira, 21 setembro , 2026

Lula fará discurso na ONU em defesa do multilateralismo e da reforma do Conselho de Segurança

por Francine Canto Boico
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Lula na Onu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta semana da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, onde fará o tradicional discurso brasileiro de abertura do debate de alto nível na manhã de terça-feira (22). Multilateralismo, conflitos internacionais e a reforma do Conselho de Segurança estarão entre os principais assuntos levados pelo Brasil ao encontro.

Lula embarcou para os Estados Unidos neste domingo (20) e tem uma agenda que combina compromissos diplomáticos, reuniões bilaterais e encontros com representantes da ONU. A viagem ocorre em um momento de multiplicação de conflitos e de questionamentos sobre a capacidade das instituições multilaterais de responder às crises internacionais.

MULTILATERALISMO DEVE ESTAR NO CENTRO DO DISCURSO

Uma das principais mensagens do presidente brasileiro deverá ser a defesa do multilateralismo como instrumento para enfrentar problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais.

A posição acompanha uma das linhas tradicionais da política externa brasileira: a busca de soluções negociadas para conflitos, com participação dos organismos internacionais e respeito às normas do direito internacional.

Diante das guerras e tensões em diferentes regiões do mundo, Lula deverá defender o diálogo e a negociação como caminhos para solucionar disputas. O respeito ao direito internacional humanitário e o princípio da não interferência nos assuntos internos de outros países também devem aparecer na manifestação.

O discurso servirá ainda para apresentar a posição brasileira sobre alguns dos principais temas atualmente em debate na comunidade internacional.

BRASIL VOLTA A DEFENDER REFORMA DO CONSELHO DE SEGURANÇA

Outro ponto previsto é a reforma da própria ONU, especialmente do Conselho de Segurança.

O Brasil defende há anos mudanças na composição e no funcionamento do órgão, responsável por decisões relacionadas à paz e à segurança internacionais. A posição brasileira parte da avaliação de que a estrutura atual não representa adequadamente a configuração política e econômica contemporânea.

A dificuldade do Conselho de Segurança para construir respostas diante de diferentes conflitos internacionais também integra as críticas apresentadas pelo país.

A discussão sobre a reforma ganha espaço em uma Assembleia Geral que terá entre seus temas guerras, crises humanitárias, desigualdade e a situação da Palestina.

LULA TERÁ ENCONTRO COM ANTÓNIO GUTERRES

A agenda presidencial prevê reuniões bilaterais ao longo desta segunda-feira (21). Os chefes de Estado que participarão desses encontros ainda não foram anunciados.

Na manhã de terça-feira (22), antes de discursar na Assembleia Geral, Lula deverá se reunir com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que se aproxima do fim de seu mandato à frente da organização.

Também está previsto um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, do Partido Democrata, que governa a cidade desde o início de 2026.

Após participar da Assembleia Geral, Lula deverá retornar ao Brasil ainda na terça-feira.

A viagem marca a 11ª participação do presidente brasileiro na Assembleia Geral da ONU durante seus mandatos na Presidência da República. Desde que chegou ao Palácio do Planalto pela primeira vez, Lula deixou de comparecer ao encontro apenas em 2010.

LULA E TRUMP DISCURSAM EM SEQUÊNCIA

A programação da Assembleia Geral coloca novamente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em momentos próximos no plenário.

Pela tradição diplomática da ONU, o Brasil abre o debate geral. Na sequência, será a vez do presidente norte-americano fazer seu pronunciamento.

Até o momento, porém, não há confirmação de uma reunião entre os dois presidentes durante a passagem de Lula por Nova York. O Itamaraty também não informou expectativa de um encontro bilateral.

A proximidade dos horários abre apenas a possibilidade de um contato informal nos bastidores.

No ano passado, Lula e Trump tiveram um breve encontro quando o presidente brasileiro deixava o palco e o norte-americano se preparava para discursar. Posteriormente, Trump afirmou ter existido uma “química excelente” entre os dois. Aquele foi o primeiro de três encontros entre os presidentes desde então.

BRASIL TERÁ AGENDA DIPLOMÁTICA DURANTE TODA A SEMANA

Embora Lula retorne ao Brasil na terça-feira, a participação brasileira na programação da ONU continuará ao longo da semana.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá em Nova York e participará de reuniões envolvendo diferentes fóruns internacionais, entre eles Brics, G77, G4, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (IBAS), L69, Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e Consenso de Brasília.

Vieira também terá a responsabilidade de presidir dois encontros ministeriais.

Na quarta-feira (23), será realizada uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada pelo Brasil durante a presidência brasileira do G20.

No dia seguinte, o chanceler presidirá a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

O Brasil ocupa atualmente a presidência da Zopacas e permanecerá no comando do mecanismo por três anos, após a realização da 9ª Reunião Ministerial da organização, em abril deste ano.

FOME, DESIGUALDADE E PALESTINA ENTRAM NA AGENDA

A delegação brasileira também participará de debates que extrapolam os temas diretamente abordados pelo presidente em seu discurso.

Entre os assuntos previstos estão a situação da Palestina e a solução de dois Estados, o combate à desigualdade, o direito internacional humanitário e os trabalhos da Comissão de Consolidação da Paz.

Representantes brasileiros também estarão presentes em reuniões do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, participará de atividades entre segunda (21) e quarta-feira (23). Como copresidente da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, ele terá compromissos relacionados à segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.

Na quarta-feira, Dias participará da reunião da Aliança Global.

COMITIVA BRASILEIRA REÚNE MINISTROS

A programação em Nova York também contará com integrantes de diferentes áreas do governo brasileiro.

Além de Mauro Vieira e Wellington Dias, estão previstas participações da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; do ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena; e da ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros.

Cada integrante da comitiva deverá participar de atividades relacionadas às respectivas áreas de atuação durante a programação paralela à Assembleia Geral.

Com a presença de Lula e de diferentes representantes do governo, o Brasil chega à 81ª Assembleia Geral defendendo uma agenda centrada no fortalecimento dos organismos multilaterais, na negociação diplomática e na ampliação da capacidade de representação das Nações Unidas diante das mudanças ocorridas no cenário internacional.


Com informações de Agência Brasil

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