O acesso à internet em escolas da rede pública de Santa Catarina atingiu 99,7% em 2025, segundo dados do Censo Escolar. O índice coloca o estado próximo da universalização da conectividade na educação básica e acima da média nacional, que ficou em 93,1% no mesmo período.
O avanço, de 14,3 pontos percentuais em relação a 2015, ocorre em um cenário de ampliação do uso de tecnologias no ensino e de políticas públicas voltadas à inclusão digital. A expansão da conectividade impacta diretamente o cotidiano escolar, ao viabilizar atividades pedagógicas mediadas por recursos digitais.
Sumário
ACESSO À INTERNET EM ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DE SANTA CATARINA AVANÇA EM DIFERENTES REGIÕES
Os dados mostram crescimento consistente tanto em áreas urbanas quanto rurais. Nas cidades, o índice passou de 92,2% em 2015 para 99,7% em 2025. Já nas áreas rurais, o salto foi mais expressivo: de 64% para 99,8% no mesmo período.
O avanço também alcançou modalidades específicas de ensino. Escolas quilombolas passaram de 57,1% para 100% de conectividade. Nas escolas indígenas, o índice subiu de 64,1% para 97,7%. Na educação especial, o percentual evoluiu de 94,5% para 99,9%.
Os números indicam redução das desigualdades históricas no acesso à infraestrutura digital, sobretudo em regiões mais afastadas dos centros urbanos.
USO PEDAGÓGICO DA INTERNET GANHA ESPAÇO NAS ESCOLAS
Além da presença de conexão, o uso da internet para fins pedagógicos também cresceu. Entre 2019 e 2025, o percentual de escolas públicas com internet disponível para atividades de ensino e aprendizagem subiu de 67% para 93%.
No mesmo intervalo ampliado, houve aumento na disponibilidade de equipamentos para os estudantes. O número de escolas com computadores — desktops ou laptops — para uso dos alunos cresceu cerca de 14 pontos percentuais entre 2015 e 2025.
Os dados indicam uma transição da conectividade básica para um cenário em que a tecnologia passa a ser incorporada ao processo de ensino, ainda que com desafios relacionados à qualidade e ao uso efetivo em sala de aula.
POLÍTICAS NACIONAIS IMPULSIONAM CONECTIVIDADE
Os resultados acompanham a implementação de políticas públicas voltadas à digitalização da educação. Entre elas está a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC), lançada em 2023, que articula ações para ampliar o acesso à internet de qualidade e melhorar a infraestrutura das escolas.
Entre 2023 e 2025, aproximadamente R$ 3 bilhões foram destinados à conectividade em escolas estaduais e municipais, em parceria com estados e municípios. A estratégia inclui expansão de redes, melhoria do Wi-Fi interno e monitoramento da qualidade da conexão.
“Nós queremos a tecnologia na escola com fins pedagógicos, para auxiliar a aprendizagem do aluno e ser elemento complementar do professor. Há um esforço do governo de garantir 100% da conectividade para fins pedagógicos das escolas”, afirmou o ministro da Educação, Camilo Santana.
“O censo apresenta a conectividade em geral, mas ela pode ser para a sala do professor, para o diretor, para a área administrativa. O que queremos é que o professor possa transmitir um vídeo em sala. E é por isso que criamos a Estratégia de Conectividade de Escolas, e passamos de 45% em 2023 para 70% este ano”, completou.
CENSO ESCOLAR ORIENTA POLÍTICAS E REPASSE DE RECURSOS
Realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Censo Escolar reúne informações de cerca de 178,8 mil escolas de educação básica em todo o país. Os dados de 2025 foram divulgados em fevereiro de 2026.
Os indicadores são utilizados para formulação e monitoramento de políticas públicas, além de orientar programas federais e critérios de repasse de recursos, como os do Fundeb.
O levantamento também subsidia a construção de indicadores educacionais, como o Ideb, e permite acompanhar a trajetória dos estudantes ao longo da educação básica.
QUALIDADE DA CONEXÃO PASSA A SER FOCO
Além do acesso, o Ministério da Educação utiliza o Indicador Escolas Conectadas (INEC) para avaliar se a internet disponível atende às condições necessárias para uso pedagógico.
O indicador considera fatores como velocidade da conexão, presença de Wi-Fi nas dependências escolares e adequação da infraestrutura elétrica. As informações são cruzadas com medições técnicas e dados fornecidos por gestores.
Com a conectividade próxima da universalização, o desafio passa a ser garantir que o acesso se traduza em uso efetivo na aprendizagem e na rotina das salas de aula.
