domingo, 6 setembro , 2026
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Campanha de Gelson Merisio destaca violência contra a mulher em SC

por Duda Amaral
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Angela Albino

A campanha de Gelson Merisio (PSB) levou para o primeiro programa político de televisão da Coligação “Coragem para Mudar” um dos temas mais preocupantes da realidade catarinense: a violência contra a mulher. A propaganda eleitoral apresentou dados sobre feminicídios, ameaças e agressões, além de questionar a estrutura disponível no estado para prevenção e atendimento às vítimas.

O programa foi conduzido pela candidata a vice-governadora Angela Albino (PDT) na noite desta sexta-feira (28). A participação na televisão começou mais cedo, às 13h, com a exibição do clipe “Seremos Resistência”.

De acordo com os dados apresentados pela coligação, Santa Catarina registrou crescimento expressivo dos casos de feminicídio ao longo deste ano. O levantamento utilizado na campanha aponta 28 vítimas no primeiro semestre, número que representava uma alta de 33% em relação ao período anterior.

Desde então, segundo a campanha, outras nove mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, elevando o total para 37 casos somente neste ano.

SANTA CATARINA TEM ALTA NOS REGISTROS DE VIOLÊNCIA

Além dos feminicídios, o programa chamou atenção para outros indicadores relacionados à violência contra as mulheres. Entre eles estão os registros de ameaças e as ocorrências de lesão corporal em situações de violência doméstica.

Segundo os números apresentados pela campanha, Santa Catarina possui a maior taxa de registros de ameaças contra mulheres do país. A média seria de aproximadamente 200 ocorrências por dia, com 1.733 registros para cada 100 mil mulheres.

Outro dado destacado diz respeito às agressões físicas. Conforme os números utilizados no programa, a taxa catarinense de lesões corporais relacionadas à violência doméstica está cerca de 46% acima da média nacional.

A campanha relacionou esses indicadores à necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres, especialmente em situações de violência doméstica.

ESTRUTURA POLICIAL TAMBÉM ENTROU NO DEBATE

A propaganda também direcionou críticas à estrutura da segurança pública catarinense. Um dos pontos apresentados foi a redução do efetivo da Polícia Civil ao longo dos últimos anos.

Segundo os dados utilizados pela coligação, atualmente existem 3.242 cargos na Polícia Civil, considerando agentes, delegados e servidores administrativos. A campanha afirma que o efetivo caiu 32% nos últimos oito anos.

Para a coligação, a redução da estrutura policial representa um desafio adicional diante do volume de ocorrências envolvendo mulheres vítimas de violência.

O programa também abordou o atendimento especializado. Atualmente, segundo a campanha, nenhuma Delegacia da Mulher em Santa Catarina funciona durante 24 horas.

Fora do horário de funcionamento dessas unidades, incluindo finais de semana e feriados, as vítimas são encaminhadas às Centrais de Plantão de Polícia. A crítica apresentada pela campanha é de que esses locais não contam com a mesma estrutura especializada disponível nas delegacias voltadas ao atendimento das mulheres.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NÃO SEGUE HORÁRIO COMERCIAL

Outro aspecto apresentado na propaganda foi o período em que os feminicídios acontecem com maior frequência.

Com base em informações do Observatório da Violência contra a Mulher, a campanha afirmou que os casos registrados em Santa Catarina entre 2020 e 2025 ocorreram principalmente aos sábados, domingos e segundas-feiras.

O dado foi utilizado para reforçar a discussão sobre o funcionamento da rede de proteção. Para a coligação, a existência de atendimento especializado apenas em determinados períodos pode dificultar o acesso das vítimas à assistência justamente nos momentos em que parte das ocorrências é registrada.

A campanha defende, nesse contexto, uma estrutura permanente de acolhimento, proteção e investigação.

RECURSOS PARA COMBATER A VIOLÊNCIA SÃO QUESTIONADOS

O primeiro programa eleitoral da coligação também levantou questionamentos sobre a utilização de recursos destinados ao enfrentamento da violência doméstica.

Segundo a peça de campanha, Santa Catarina recebeu R$ 4,5 milhões em recursos federais para ações relacionadas ao tema, mas apenas 16% desse montante teria sido utilizado pelo governo de Jorginho Mello.

A informação foi apresentada como parte da crítica da coligação à atual condução das políticas públicas de proteção às mulheres.

Para a campanha de Gelson Merisio, os números evidenciam a necessidade de transformar o combate à violência contra a mulher em uma política de Estado, com ações que envolvam prevenção, proteção, investigação, atendimento especializado e investimentos na segurança pública.

COLIGAÇÃO DEFENDE MUDANÇA NAS POLÍTICAS DE PROTEÇÃO

Ao levar o tema para o horário eleitoral, a Coligação “Coragem para Mudar” procurou associar os indicadores de violência à necessidade de mudanças na atuação do poder público.

A proposta apresentada é ampliar a capacidade de resposta da rede de proteção e garantir que mulheres em situação de violência tenham acesso a atendimento especializado independentemente do dia ou horário.

A coligação é formada pela Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV, além de PSB, PDT e Federação REDE/PSOL.

O programa marcou a estreia da campanha na televisão com uma abordagem centrada na violência contra a mulher e na estrutura pública disponível para enfrentar o problema em Santa Catarina.


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