A campanha de Gelson Merisio (PSB) levou para o primeiro programa político de televisão da Coligação “Coragem para Mudar” um dos temas mais preocupantes da realidade catarinense: a violência contra a mulher. A propaganda eleitoral apresentou dados sobre feminicídios, ameaças e agressões, além de questionar a estrutura disponível no estado para prevenção e atendimento às vítimas.
O programa foi conduzido pela candidata a vice-governadora Angela Albino (PDT) na noite desta sexta-feira (28). A participação na televisão começou mais cedo, às 13h, com a exibição do clipe “Seremos Resistência”.
De acordo com os dados apresentados pela coligação, Santa Catarina registrou crescimento expressivo dos casos de feminicídio ao longo deste ano. O levantamento utilizado na campanha aponta 28 vítimas no primeiro semestre, número que representava uma alta de 33% em relação ao período anterior.
Desde então, segundo a campanha, outras nove mulheres foram vítimas de feminicídio no estado, elevando o total para 37 casos somente neste ano.
SANTA CATARINA TEM ALTA NOS REGISTROS DE VIOLÊNCIA
Além dos feminicídios, o programa chamou atenção para outros indicadores relacionados à violência contra as mulheres. Entre eles estão os registros de ameaças e as ocorrências de lesão corporal em situações de violência doméstica.
Segundo os números apresentados pela campanha, Santa Catarina possui a maior taxa de registros de ameaças contra mulheres do país. A média seria de aproximadamente 200 ocorrências por dia, com 1.733 registros para cada 100 mil mulheres.
Outro dado destacado diz respeito às agressões físicas. Conforme os números utilizados no programa, a taxa catarinense de lesões corporais relacionadas à violência doméstica está cerca de 46% acima da média nacional.
A campanha relacionou esses indicadores à necessidade de ampliar as políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres, especialmente em situações de violência doméstica.
ESTRUTURA POLICIAL TAMBÉM ENTROU NO DEBATE
A propaganda também direcionou críticas à estrutura da segurança pública catarinense. Um dos pontos apresentados foi a redução do efetivo da Polícia Civil ao longo dos últimos anos.
Segundo os dados utilizados pela coligação, atualmente existem 3.242 cargos na Polícia Civil, considerando agentes, delegados e servidores administrativos. A campanha afirma que o efetivo caiu 32% nos últimos oito anos.
Para a coligação, a redução da estrutura policial representa um desafio adicional diante do volume de ocorrências envolvendo mulheres vítimas de violência.
O programa também abordou o atendimento especializado. Atualmente, segundo a campanha, nenhuma Delegacia da Mulher em Santa Catarina funciona durante 24 horas.
Fora do horário de funcionamento dessas unidades, incluindo finais de semana e feriados, as vítimas são encaminhadas às Centrais de Plantão de Polícia. A crítica apresentada pela campanha é de que esses locais não contam com a mesma estrutura especializada disponível nas delegacias voltadas ao atendimento das mulheres.
VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NÃO SEGUE HORÁRIO COMERCIAL
Outro aspecto apresentado na propaganda foi o período em que os feminicídios acontecem com maior frequência.
Com base em informações do Observatório da Violência contra a Mulher, a campanha afirmou que os casos registrados em Santa Catarina entre 2020 e 2025 ocorreram principalmente aos sábados, domingos e segundas-feiras.
O dado foi utilizado para reforçar a discussão sobre o funcionamento da rede de proteção. Para a coligação, a existência de atendimento especializado apenas em determinados períodos pode dificultar o acesso das vítimas à assistência justamente nos momentos em que parte das ocorrências é registrada.
A campanha defende, nesse contexto, uma estrutura permanente de acolhimento, proteção e investigação.
RECURSOS PARA COMBATER A VIOLÊNCIA SÃO QUESTIONADOS
O primeiro programa eleitoral da coligação também levantou questionamentos sobre a utilização de recursos destinados ao enfrentamento da violência doméstica.
Segundo a peça de campanha, Santa Catarina recebeu R$ 4,5 milhões em recursos federais para ações relacionadas ao tema, mas apenas 16% desse montante teria sido utilizado pelo governo de Jorginho Mello.
A informação foi apresentada como parte da crítica da coligação à atual condução das políticas públicas de proteção às mulheres.
Para a campanha de Gelson Merisio, os números evidenciam a necessidade de transformar o combate à violência contra a mulher em uma política de Estado, com ações que envolvam prevenção, proteção, investigação, atendimento especializado e investimentos na segurança pública.
COLIGAÇÃO DEFENDE MUDANÇA NAS POLÍTICAS DE PROTEÇÃO
Ao levar o tema para o horário eleitoral, a Coligação “Coragem para Mudar” procurou associar os indicadores de violência à necessidade de mudanças na atuação do poder público.
A proposta apresentada é ampliar a capacidade de resposta da rede de proteção e garantir que mulheres em situação de violência tenham acesso a atendimento especializado independentemente do dia ou horário.
A coligação é formada pela Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV, além de PSB, PDT e Federação REDE/PSOL.
O programa marcou a estreia da campanha na televisão com uma abordagem centrada na violência contra a mulher e na estrutura pública disponível para enfrentar o problema em Santa Catarina.