quarta-feira, 16 setembro , 2026
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Número de empresas formalizadas cresceu 41% nos últimos dez anos no Brasil

por Duda Amaral
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O empreendedorismo formal avançou em ritmo acelerado no Brasil na última década. Entre 2015 e 2025, o número de negócios com CNPJ cresceu 41%, passando de 7,45 milhões para 10,5 milhões. O resultado representa a entrada de aproximadamente 3 milhões de empresas na economia formal.

Os dados fazem parte da pesquisa “Empreendedorismo Informal Sob a Ótica da PNAD Contínua”, elaborada pelo Sebrae. O levantamento mostra que a expansão da formalização ocorreu em velocidade muito superior à registrada entre os empreendedores informais.

Enquanto os negócios com CNPJ cresceram 41% no período, o número de empreendimentos informais aumentou apenas 6%, de 18,6 milhões para 19,7 milhões. Com isso, a participação dos negócios formalizados no universo empreendedor passou de 28,5% para 34,7%.

EMPREENDEDORISMO GANHA CARÁTER MAIS DURADOURO

A pesquisa também indica uma mudança na relação dos brasileiros com o empreendedorismo. Os dados apontam que abrir e manter um negócio deixou de representar apenas uma alternativa diante da falta de emprego e passou a ser uma escolha mais estruturada para uma parcela dos trabalhadores.

No último trimestre de 2025, 76% dos empreendedores informais já administravam seus negócios havia pelo menos dois anos. Entre aqueles que possuem CNPJ, o índice foi ainda maior: 88%.

A presença de novos empreendedores também é relativamente pequena. Apenas 3% dos informais estavam havia menos de um mês na atividade, enquanto entre os formalizados esse percentual era de 0,5%.

Para o presidente do Sebrae, Rodrigo Soares, a evolução está relacionada à criação de condições mais favoráveis para quem decide abrir uma empresa no país.

O Simples Nacional foi um marco no empreendedorismo no Brasil. A partir dele, e com os aprimoramentos que foram feitos ao longo dos últimos anos, abrir o próprio negócio tornou-se uma atividade mais atrativa e bem menos desafiadora. Com isso, cada vez mais empreendedores decidem abrir sua empresa por oportunidade, e não por necessidade.

QUEM ESTÁ À FRENTE DOS NEGÓCIOS INFORMAIS

O perfil dos empreendedores varia entre os segmentos formal e informal. Entre os donos de negócios sem CNPJ, os homens representam 67% do total, enquanto as pessoas negras correspondem a 60%.

No grupo de empreendedores formalizados, por outro lado, as pessoas brancas são maioria, representando 60,5%.

Outro movimento identificado pelo levantamento envolve a idade dos trabalhadores. Nos últimos dez anos, a participação de pessoas com 60 anos ou mais entre os empreendedores informais aumentou de 12% para 16%. O crescimento de quatro pontos percentuais foi o maior entre as faixas etárias analisadas.

NEGÓCIO INFORMAL É FONTE DE RENDA PARA FAMÍLIAS

A informalidade também aparece diretamente ligada à manutenção dos domicílios. Segundo o estudo, 54% dos empreendedores que trabalham sem CNPJ são chefes de família.

A estrutura dos negócios ajuda a explicar parte desse cenário. Cerca de 60% dos informais não possuem um local fixo para exercer a atividade. Muitos trabalham na própria residência ou se deslocam até o endereço indicado pelo cliente, como ocorre com diversos prestadores de serviços.

Outro dado chama atenção: 80% dos empreendedores informais não realizam contribuições para a Previdência Social. A ausência desse recolhimento pode deixar esses trabalhadores sem acesso a uma série de mecanismos de proteção previdenciária.

INFORMALIDADE CONCENTRA TRABALHO POR CONTA PRÓPRIA

A diferença entre os modelos também aparece na jornada de trabalho. Os empreendedores informais dedicam, em média, 36 horas por semana ao negócio principal.

A carga horária é sete horas menor do que a registrada entre os empreendedores formalizados. Um dos fatores associados a essa diferença é a predominância do trabalho por conta própria entre os informais.

De acordo com a pesquisa, 96% dos empreendedores sem CNPJ trabalham por conta própria, enquanto uma parcela reduzida está à frente de negócios que geram postos de trabalho para outras pessoas.

Os números do Sebrae mostram, assim, um cenário em transformação: embora a informalidade ainda reúna a maior parcela dos empreendedores brasileiros, a formalização avançou de maneira consistente ao longo de dez anos, ampliando o peso dos negócios com CNPJ na economia.


Com informações de Agência SEBRAE

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