A advogada Fernanda Klitzke foi detida durante ocorrência da Polícia Militar após evento político em Jaraguá do Sul; testemunhas relatam chutes e disparos de bala de borracha, enquanto integrantes da chapa cobram apuração do caso.
A advogada Fernanda Klitzke, segunda suplente na chapa de Décio Lima (PT) ao Senado por Santa Catarina, foi agredida e detida durante uma ocorrência envolvendo a Polícia Militar na noite deste sábado (12), em Jaraguá do Sul, no Norte catarinense. Segundo testemunhas, ela foi derrubada no chão, atingida por chutes e por disparos de bala de borracha enquanto tentava acompanhar, na condição de advogada, uma abordagem realizada pelos policiais.
O episódio ocorreu durante um evento político e teria começado após uma reclamação de vizinhos relacionada ao barulho. Com a chegada da Polícia Militar, a situação se intensificou e terminou com detenções. Relatos de pessoas que estavam no local apontam que um homem negro que participava do ato teria sido abordado com truculência e preso por desacato, momento em que Fernanda tentou intervir para acompanhar e orientar juridicamente os envolvidos.
Testemunhas afirmam que as prerrogativas profissionais da advogada não teriam sido respeitadas e que Fernanda não oferecia resistência quando foi agredida. Depois de ser detida e encaminhada à delegacia, ela foi liberada e precisou receber atendimento médico.
A repercussão do episódio provocou manifestações de integrantes da chapa eleitoral da qual Fernanda participa. Gelson Merisio (PSB), candidato ao governo de Santa Catarina pela mesma coligação, procurou o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), desembargador Carlos Roberto da Silva, para solicitar providências e uma apuração urgente. Décio Lima também se manifestou, classificando a violência como inaceitável e destacando tanto a condição de Fernanda como mulher quanto o exercício de sua profissão de advogada.
OCORRÊNCIA COMEÇOU APÓS RECLAMAÇÃO DE BARULHO
A presença da Polícia Militar no evento teria sido motivada inicialmente por uma reclamação de vizinhos relacionada ao barulho. De acordo com pessoas que acompanharam a ocorrência, porém, a intervenção ganhou contornos mais graves durante a abordagem de participantes da atividade política.
Um homem negro teria sido alvo de truculência por parte dos agentes e acabou detido por desacato. Fernanda, que estava no local, passou então a acompanhar a ocorrência como advogada e tentou orientar as pessoas envolvidas. Foi durante essa intervenção que, conforme os relatos apresentados, começou o confronto entre ela e os policiais.
Imagens e relatos que circulam sobre o episódio mostram a advogada sendo derrubada e atingida durante a ação. Testemunhas sustentam que Fernanda pedia calma e não representava risco aos agentes quando foi alvo dos disparos de bala de borracha e dos chutes. As mesmas pessoas afirmam que a tentativa da advogada de exercer suas prerrogativas profissionais não foi respeitada durante a abordagem.
Após a ocorrência, Fernanda foi levada à delegacia e posteriormente liberada. Em razão das agressões sofridas, precisou procurar atendimento médico.
CONFIRA VÍDEO DO MOMENTO EM QUE FERNANDA É AGREDIDA
MERISIO ACIONA PRESIDENTE DO TRE-SC
A gravidade das imagens e dos relatos levou Gelson Merisio a procurar o presidente do TRE-SC para cobrar uma investigação urgente. O candidato ao governo informou que tomou conhecimento do caso quando chegou a Florianópolis, após retornar de um compromisso de campanha realizado em Chapecó na noite de sábado.
Além de questionar a atuação dos policiais, Merisio defendeu que as circunstâncias do episódio sejam investigadas também diante da suspeita levantada de uma possível natureza política na abordagem. Fernanda integra uma chapa que disputa as eleições em Santa Catarina e estava em uma atividade política quando ocorreu a intervenção.
Em nota, Merisio afirmou:
“Falei há pouco com o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, desembargador Carlos Roberto Silva, para cobrar uma apuração urgente sobre a agressão covarde envolvendo nossa companheira Fernanda Klitzke, suplente na candidatura ao Senado de Décio Lima.
Tomei conhecimento do episódio ao chegar a Florianópolis, vindo de um compromisso de campanha em Chapecó, na noite deste sábado.
Os vídeos mostram Fernanda sendo vítima de uma violência inexplicável por parte de policiais militares.
Ver um agente do Estado disparar balas de borracha e chutar uma mulher caída no chão, que pedia calma e não oferecia qualquer risco, é revoltante.
Temos, diariamente, denunciado o aumento da violência contra as mulheres e do extremismo no nosso estado.
Fernanda é uma grande companheira de chapa e representa a força da mulher catarinense. Merece, como mulher, como representante política e como cidadã, o máximo respeito das nossas instituições.
Aguardamos uma resposta rápida sobre o caso.
Estarei dedicado a acompanhar de perto a situação da nossa companheira e deixo a ela meu total apoio e solidariedade.
Fernanda, você não está sozinha. Resistiremos e daremos um basta a tanto ódio e violência no nosso estado.”
A manifestação coloca o episódio em um contexto que, para a chapa, ultrapassa a discussão sobre a conduta individual dos agentes envolvidos. Ao mencionar violência contra as mulheres e extremismo, Merisio relaciona o caso a preocupações que afirma já virem sendo denunciadas no estado, ao mesmo tempo em que cobra das instituições uma resposta sobre o que aconteceu em Jaraguá do Sul.
DÉCIO LIMA DESTACA DIREITO DE DEFESA E PRERROGATIVAS DA ADVOCACIA
Décio Lima também reagiu ao episódio envolvendo sua segunda suplente e destacou um aspecto central da ocorrência: Fernanda teria sido agredida justamente quando buscava atuar como advogada. Também advogado, o candidato ao Senado ressaltou que as prerrogativas profissionais não constituem privilégios individuais, mas garantias necessárias para que o direito de defesa possa ser exercido.
Décio chamou atenção ainda para o fato de Fernanda já ter recebido o título de Amiga da Polícia Militar e relacionou a violência relatada no episódio tanto ao exercício profissional da advocacia quanto à violência contra as mulheres.
“A Fernanda, além amiga muito querida, é minha companheira de partido e de chapa. Mas antes de tudo é uma mulher, uma advogada que exerce sua profissão e sua cidadania. Ela já recebeu o título de Amiga da Polícia Militar, o que torna ainda mais importante denunciar essa violência brutal e inaceitável que ela sofreu. Como advogado, conheço a importância das prerrogativas profissionais para o exercício da defesa em qualquer situação. Elas não são privilégios pessoais. São garantias previstas em lei. Uma agressão ao direito de defesa é uma agressão à própria democracia. Assim como a violência contra uma mulher, espancada a chutes enquanto pedia calma aos policiais, é uma violência contra todas as mulheres.”
A fala reforça a cobrança para que seja esclarecido não apenas o emprego da força durante a ocorrência, mas também o tratamento dado a Fernanda enquanto ela buscava acompanhar juridicamente a abordagem. Para Décio, o respeito às prerrogativas profissionais está diretamente ligado à garantia do direito de defesa e, consequentemente, ao funcionamento das instituições democráticas.
CHAPA COBRA INVESTIGAÇÃO SOBRE O EPISÓDIO
As manifestações de Décio Lima e Gelson Merisio convergem na cobrança por esclarecimentos sobre a atuação policial. O caso reúne diferentes aspectos que precisarão ser apurados, desde as circunstâncias que levaram à prisão de um participante por desacato até a forma como Fernanda foi abordada quando tentou intervir profissionalmente na ocorrência.
Também está entre os questionamentos apresentados pela chapa a possibilidade de o contexto político ter alguma relação com o episódio. Essa hipótese foi levantada pelos integrantes da coligação e é apresentada como uma questão a ser investigada, sem que as informações disponíveis permitam tratá-la como uma motivação já comprovada.
O pedido levado por Merisio ao presidente do TRE-SC busca justamente uma resposta institucional diante da gravidade atribuída ao episódio. Enquanto isso, a divulgação das imagens e dos relatos sobre a abordagem ampliou a repercussão do caso, que envolve uma advogada, candidata a segunda suplente ao Senado e integrante de uma chapa que disputa as eleições deste ano em Santa Catarina.