quarta-feira, 23 setembro , 2026

Bora defender os fatos sem desistir das pessoas?

por Francine Canto Boico
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francine canto boico

Ando extremamente espantada com os comentários que tenho lido nas redes sociais. É muita agressividade, é muita desinformação e eu vejo que muita gente tem uma enorme dificuldade de compreender a realidade.

Acredito que isso vem, em parte, do fato de vivermos em um país marcado por graves problemas educacionais. Muita gente passou pela escola sem ter acesso suficiente à história, sociologia, filosofia, interpretação de texto, enfim, aos instrumentos que nos ajudam a compreender o mundo.

E isso se agrava com o fato de que estamos vivendo em um ambiente informacional extremamente complexo, marcado pela desinformação, pela manipulação midiática e por uma enorme disputa de narrativas.

Nesse contexto, precisamos deixar claro que fatos não podem simplesmente deixar de ser fatos porque alguém construiu outra narrativa.

Jair Bolsonaro, por exemplo, foi julgado e condenado pelo STF por cinco crimes, entre eles tentativa de golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O seu filho Flávio pode dizer que considera tudo isso uma “grande farsa”. Porém, essa é a opinião dele. A condenação existe. Isso é um fato.

Da mesma forma, quando pessoas dizem que o golpe de 1964 foi uma revolução, isso não é verdade. Existe uma enorme documentação histórica sobre o golpe e a ditadura que se seguiu.

Claro que podemos interpretar os fatos de maneiras diferentes. Isso faz parte da democracia. O problema começa quando certas pessoas tentam substituir os fatos por opiniões ou, pior ainda, por desinformação, por mentira.

E é por isso que eu acho que precisamos falar urgentemente em uma educação para a compreensão.

Uma educação que trabalhe com educação midiática e que amplie também o nosso acesso coletivo a conhecimentos em história, geografia, sociologia, filosofia, ciência, direitos humanos e interpretação de texto.

Precisamos formar pessoas capazes de analisar informações, buscar evidências, compreender contextos e construir suas próprias opiniões a partir da realidade, da história e da ciência.

Porque não basta que alguns de nós consigam compreender o que está acontecendo. Precisamos avançar coletivamente na nossa capacidade de compreensão.

E isso depende também de cada um de nós: de continuar valorizando o conhecimento, defendendo os fatos, compartilhando informação de qualidade e, principalmente, não desistindo do diálogo.

Precisamos abrir nossos corações para quem pensa diferente e desenvolver o que podemos chamar de uma solidariedade pedagógica.

Precisamos ter paciência para dialogarmos, explicarmos, ouvirmos e ajudarmos uns aos outros a compreendermos melhor a realidade.

Porque, se queremos construir uma sociedade melhor, não podemos desistir das pessoas. Precisamos construir essa compreensão juntos.

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