O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é candidato à Presidência da República, passou a ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em uma apuração relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, produção que retrata a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A inclusão do parlamentar no caso foi determinada pelo ministro André Mendonça, responsável pelo inquérito que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados à produção cinematográfica.
A investigação também alcança o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo as informações apresentadas no caso, ele é apontado como possível beneficiário de parte dos valores movimentados.
INVESTIGAÇÃO APURA REPASSE DE R$ 61 MILHÕES
A apuração busca esclarecer a origem e a destinação de aproximadamente R$ 61 milhões que teriam sido disponibilizados para custear a produção de Dark Horse. O dinheiro é atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.
A principal suspeita investigada é de que o montante tenha sido colocado à disposição para a realização do filme a pedido de Flávio Bolsonaro.
A abertura do inquérito ocorreu após solicitação da Polícia Federal (PF), com autorização da Procuradoria-Geral da República (PGR). A investigação pretende verificar se houve a prática de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
No pedido apresentado ao Supremo, a PF afirmou:
“A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro”, diz o pedido da PF.
EDUARDO BOLSONARO TAMBÉM É ALVO DA APURAÇÃO
Além de Flávio, o inquérito envolve o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele aparece na investigação como possível beneficiário de parte dos recursos relacionados ao financiamento da obra.
A apuração integra um conjunto de procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, investigação que mira suspeitas de corrupção envolvendo agentes públicos e possíveis fraudes financeiras de grande escala atribuídas a Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao grupo.
Flávio Bolsonaro foi formalmente incluído na investigação em 22 de julho.
SIGILO DO CASO FOI PARCIALMENTE LEVANTADO
A existência da investigação contra o senador se tornou pública depois que Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos derivados da Operação Compliance Zero, na noite de quinta-feira (10).
A decisão ocorreu após um pedido do presidente do STF, ministro Edson Fachin, para ampliar a publicidade das investigações relacionadas ao caso Master. Fachin determinou a divulgação dos procedimentos, mas fez uma ressalva para diligências que dependam de sigilo para serem realizadas.
Apesar da divulgação da decisão que autorizou a investigação, o conteúdo do inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro continua sob sigilo. O mesmo ocorre com os demais elementos da apuração relacionada ao Banco Master e ao filme Dark Horse.
DELAÇÃO TAMBÉM ENTRA NO RADAR DO CASO
Outro elemento que passou a integrar a investigação é a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Mendonça homologou o acordo, e Freixo é apontado como responsável por realizar repasses em dinheiro vivo relacionados ao filme.
A colaboração faz parte do conjunto de informações analisadas pelas autoridades para esclarecer como os recursos destinados à produção foram movimentados.
ÁUDIOS LEVANTARAM SUSPEITAS SOBRE A RELAÇÃO
A relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro ganhou maior repercussão após a divulgação, pelo portal The Intercept Brasil, de áudios nos quais o senador aparece solicitando recursos ao então dono do Banco Master para viabilizar a produção de Dark Horse.
Desde a publicação das gravações, Flávio não contesta a autenticidade dos áudios. O senador afirma que não haveria irregularidade em procurar recursos privados para financiar uma produção cinematográfica sobre seu pai.
A Agência Brasil informou que busca contato com a defesa do parlamentar.
A investigação conduzida no STF deverá esclarecer a origem dos valores, a forma como os recursos foram movimentados e se houve participação dos investigados em eventuais crimes financeiros ou outros delitos relacionados ao financiamento do filme.
Com informações de Agência Brasil