quinta-feira, 1 outubro , 2026

Bets são alvo de ação que pede indenização por custos gerados ao SUS com tratamento de apostadores

por Duda Amaral
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A Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Justiça para buscar o ressarcimento de despesas do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas ao tratamento de pessoas afetadas pelo uso problemático de jogos on-line.

A ação civil pública foi apresentada na última segunda-feira (28), na Justiça Federal de Pernambuco, contra 17 plataformas de apostas esportivas. Além da reparação dos custos públicos, a AGU pede uma indenização mínima de R$ 1 bilhão por danos morais coletivos.

AGU PEDE RESSARCIMENTO DOS CUSTOS AO SUS

Entre os pedidos apresentados no processo está a devolução em dobro dos valores apostados por pessoas diagnosticadas com ludopatia, condição associada ao comportamento compulsivo relacionado aos jogos.

Segundo a AGU, os impactos financeiros provocados pelo atendimento dessas pessoas na rede pública de saúde superam os recursos arrecadados pelo governo por meio da tributação das empresas de apostas. O órgão estima que as bets tenham repassado aproximadamente R$ 50 milhões aos cofres públicos.

Na avaliação apresentada pela Advocacia-Geral da União, o funcionamento das plataformas gera uma transferência dos custos relacionados aos problemas de saúde para o poder público e para a sociedade.

“As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo”, argumentou a AGU.

A instituição também sustenta que determinadas estratégias utilizadas pelas plataformas para aumentar o período de permanência dos usuários e a quantidade de apostas podem contribuir para comportamentos de dependência.

ÓRGÃO CITA IMPACTOS NA SAÚDE MENTAL

Na ação, a AGU relaciona o uso problemático das apostas a diferentes consequências para a saúde mental. Entre os problemas mencionados estão ansiedade, depressão e transtorno do jogo.

O órgão também afirma que, em situações mais graves, o endividamento associado às apostas pode estar relacionado à ideação suicida.

“Esses elementos, tecnicamente equivalentes aos utilizados em jogos de azar com potencial reconhecido de geração de dependência, produzem um efeito colateral sistemático: o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, sob a forma de ansiedade, quadros depressivos, transtorno do jogo e, em casos extremos, ideação suicida associada ao endividamento”, completou.

A ação busca, portanto, atribuir às empresas parte dos custos decorrentes dos impactos apontados pelo governo e obter uma compensação pelos danos considerados coletivos.

ENTIDADES DAS BETS TAMBÉM RECORRERAM AO STF

A disputa judicial ocorre em meio a outras medidas envolvendo o setor de apostas on-line. Mais cedo, entidades que representam as plataformas recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória que determinou restrições à exploração e à publicidade dos jogos on-line.

Na sequência, a AGU solicitou ao STF um prazo de 72 horas para apresentar sua manifestação sobre as ações relacionadas à tentativa de liberação das bets.


Com informações de Agência Brasil

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