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Por que a inteligência artificial deixou de ser diferencial e virou infraestrutura padrão na indústria? – por Gustavo Napomuceno

estudo Mercado Brasileiro de Software, Panorama e Tendências 2026, produzido pela ABES (Associação Brasileira das Empresas de Software) em parceria com a IDC, mostra que o setor de tecnologia entra em uma nova fase: depois de crescer 18,5% em 2025, atingindo US$ 67,8 bilhões, a projeção para 2026 é de um avanço mais moderado, de 5,3%. O dado não indica desaceleração da inteligência artificial, e sim uma mudança de papel. A tecnologia deixa de ser projeto-piloto e passa a compor a base estrutural das operações das empresas.

Da experimentação à infraestrutura

Até pouco tempo, a IA era tratada como iniciativa isolada: um chatbot em um canal de atendimento, um relatório automatizado em uma área específica. O levantamento da ABES aponta que essa lógica muda em 2026, ou seja, a prioridade das empresas passa a ser produtividade, redução de custos e geração de valor direto para o negócio, substituindo o ciclo anterior de expansão acelerada puxado pela digitalização.

Outro dado do mesmo estudo reforça essa leitura de que 69% dos líderes de TI brasileiros já priorizam a computação em nuvem como modelo preferencial para consumo de IA generativa. Isso indica que a nuvem deixou de ser apenas repositório de dados e passou a ser pré-requisito de infraestrutura para qualquer aplicação de IA em escala.

O que isso significa para o chão de fábrica? 

Essa virada aparece com mais clareza na indústria. Sensores conectados, rastreabilidade de produção e manutenção preditiva só geram valor quando existe uma base de dados estruturada por trás e é justamente essa maturidade de dados que separa fábricas que já colhem resultado concreto das que ainda estão na etapa inicial de digitalização.

A consolidação da IA como infraestrutura padrão muda o critério que separa empresas competitivas das que ficam para trás. Não é mais sobre ter adotado inteligência artificial, mas sobre ter construído, antes dela, a base de dados que faz sua aplicação gerar resultado real. Para o setor industrial brasileiro, essa é a decisão que se impõe em 2026, investir em maturidade de dados deixou de ser etapa preparatória e passou a ser condição de competitividade.